não entendo a sua fixação numa religião, nem digo que se esqueça tudo, que seja ateu, niilista, cético, ou budista, mas o amor repentino pela religião, pelo deus, pelas coisas do mundo, a oração pungida de emoção e erros de concordância antes do café da manhã e todas as outras coisas que somadas não me fazem te reconhecer nem um pouco, já que se antes tu não me eras coisa nenhuma em que se espelhar, agora te distanciaste de tal forma de minha vista, que mal lembro seu nome em meio daqueles por quem um dia nutri algum sentimento de amor - e eu juro que um dia te amei, não como o que és, em meio aos rótulos familiares, mas como se gosta de todos e tudo, entretanto, tua boca torta, preconceito e opinião agora defendidas só nos distanciam cada vez mais, me dá vontade de me enfurnar num terreiro de macumba só pra suscitar tua repulsa, esse teu coração tão cheio de espírito, e tantas outras coisas que te levaram à loucura - que aquele riso da madrugada não pode ser outra coisa, senão tua mente doente, de tanto enfurnar a cabeça no imaterial, no metafísico, o inexistente. sinto realmente por teu cérebro. um dia foste aquele por quem as pessoas tinham respeito e admiração, além de saber que assumia, mesmo à contragosto depois, seus pecados, que é o pecado?, mundanos. hoje, virou mais uma hipocrisia, voltando os olhos para si - por que fazer o bem, é digno, claro, mas, por conta própria, não no súbito interesse de pagar o loteamento do paraíso. enfim, tua música atrapalha meu pensamento, não vou mais escrever.
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