quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

post-punk

pere ubu, bauhaus, the birthday party, nico, joy division, p.i.l., einstürdenze neubaten e ainda killing joke - bandas que me dão medo e escuto sem saber a quê razão.
meu negócio é com barulhinhos. tilintadozinhos de guitarras e vozes etéreas, de mulheres asmáticas, sussurrando, gritos esganiçados: my bloody valentine, ride, slowdive, indoao nirvana, pearl jam, soundgarden.

há dias em que se olha...

há dias em que se olha em volta e tudo só não parece ser mais insuportável porque enfim, se é necessário seguir em frente por, cada qual, a seus motivos. temos que cortar unhas cabelos, escanhoar a face sempre que possível e ter além disso que aprender a sorrir. queria entender o que existia antes do sorriso. que gesto primal não estaria envolto na cara do homem-macaco dos tempos das cavernas para representar-se assim seu contentamento? vendo por este lado, qual não é a face do horror também estampado? ah, e lembro também que vi 2001: uma odisseia no espaço, e na morte do primata, achei engraçado o mexer convulso da perninha cabeluda; o último sorriso esboçado com verdade absoluta, os outros, que não me recordo, estes, podem sim terem sido verdadeiros - que maldade com certas pessoas - entretanto, a maioria não passou de esboço. e o insuportável é a inconstância dos dias - hoje isto, amanhã aquilo, feliz triste, frio quente, claro escuro. equilíbrio é a palavra de ordem, já se sabe, mas o rosto não manifesta o que a mente se conforma - vontade de mandar deus, a chuva e o sol para as putas que os pariu, ou, como também achei engraçado um dia desses, mandar toda essa merda chupar um canavial de rola. foi numa peça de uns comediantes que no geral são assim mesmo: pura rasgação de seda. humor escrachado, da maneira como pouco gosto. entretanto, esta frase, que um deles proferiu com fluidas palavras da boca de dercy gonçalves, que ele imitava, e muito mal por sinal, e me fez rir à beça. no mais, que mais teve?... pouco interessa, já que o foco é a insuportabilidade (oiaê) dos dias. tenho eu que rir destas coisas - qual área do meu cérebro que acha engraçado o jesus cristo sendo chamado de veado - e não me faz ter nojo ou repulsa? vai entender... no mais, vão todos chupar um canavial de rola.

domingo, 22 de janeiro de 2012

entupindo...

entupindo a cabeça de informação barulhenta e não saberei mais por quanto tempo aguentarão meus tímpanos nesta desordem. como parafraseou saramago um dia, no prefácio de o homem duplicado: o caos é uma ordem por decifrar. mas na verdade, decifrar é o de menos, prefiro sentir o barulho louco ensurdecendo os ouvidos, e eu aqui aguardando que a sensação remota de alheamento me bata mas, ó senhor do inexistível, por que meus olhos não se cansam de permanecerem sãos e atentos para o que há em volta? tanto no sono quanto na vigilha estão eles a zonzear pelos trezentos e sessenta graus que foram propiciados a ter. mas a tristeza, essa não se quebra nem destrói, só aumenta.

[18:45]

***

e é na tristeza dela que eu vejo e revejo que a minha não passa de um esboço de emoção sofrível, que a madrugada é breve, brevíssima, para tanto sentimento em busca de expressão. a mulher que um dia tivera o mundo às suas mãos, por tudo o quanto lutou e venceu, agora vê-se diante da curva insegura do destino. então, é bom nos segurarmos para que possamos nos enfiar dentro da poltrona e sentir a delícia da gravidade, e torçamos para que não nos leve ao chão, vamos pensar um pouco mais como gabriel garcía marquez, acreditar que possamos voar, e lá se vão as nossas asas, rasgando as nossas carnes de pobres homens crentes na melhora, crentes em quedas e asas - ai, as asas - as asas não existem! enlaçado nos pensamentos dela, eu perco quase todos os meus dedos, e sinto agora que tudo se esvai como o tempo descendo numa ampulheta, e deixemo-lo cair, deixemos, façamos de conta que nos importamos - não há nada a fazer. a crença no parar, no cessar de segundos é a coisa vã da qual estamos acostumados a nos fiar. mas, no sentimento dela me debruço, recostado com sofreguidão, interessado em vasculhar no destino qualquer palavra que seja que faça surgir o plim do desenho - a velha lâmpada da ideia - que fará sua vida seguir novamente aos trancos e barrancos - que eu te prefiro ver sorvendo do mundo toda a fumaça e o caos que amofinada nas paredes de teu quarto branco, rosa, azul, violáceo (o quarto inviolável?). as rãs frias e moles parecem assumir a vida que não tivemos tempo de viver e se movimentam na escuridão - a tristeza fria e impassível espreita pela porta.

23/01/2012 - 0:33 - good night, diria a vozinha do prelúdio de "over now" do alice in chains.

penso às vezes...

penso às vezes onde vai  o significado de ceticismo e niilismo. busquei o dicionário neste momento, me achando um idiota.

1 redução ao nada; aniquilamento; não existência
2 ponto de vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência
3 total e absoluto espírito destrutivo, em relação ao mundo circundante e ao próprio eu
4 Rubrica: filosofia.
no nietzschianismo, negação, declínio ou recusa, em curso na história humana e esp. na modernidade ocidental, de crenças e convicções — com seus respectivos valores morais, estéticos ou políticos — que ofereçam um sentido consistente e positivo para a experiência imediata da vida
5 rejeição radical às leis e às instituições formais
6 Rubrica: história, política.
ideologia de um grupo revolucionário russo da segunda metade do sXIX, que pregava a destruição das instituições políticas e sociais para abrir caminho a uma nova sociedade, mesmo empregando medidas extremas
7 ação anarquista, terrorista ou revolucionária

isto para niilismo.
agora para ceticismo:

1 Rubrica: filosofia.
doutrina segundo a qual o espírito humano não pode atingir nenhuma certeza a respeito da verdade, o que resulta em um procedimento intelectual de dúvida permanente e na abdicação, por inata incapacidade, de uma compreensão metafísica, religiosa ou absoluta do real
2 Derivação: por extensão de sentido.
falta de crença; descrença, incredulidade, dúvida.

existe explicação para o nada e o quase nada...


uma coisa...

uma coisa pela qual não atinei na hora em que comecei a escrever foi que temos que pensar o suficiente para que diminuamos o ritmo das coisas. a ficção é um ato de ordem absoluta - mesmo em meio a desordem dum raciocínio kafkiano, vá lá, entender william s. burroughs. em a ideia vaga perdi o fio da meada e nunca mais vou me encontrar. entretanto, cheguei ao ponto comigo mesmo de que devo parar, respirar e só então começar a reproduzir novamente aquilo que começou como o jorro da consciência inquieta e transformou-se então num estorvo de palavras sem sentido, que, claro, alguns dias se seguirão e conseguirei peneirar aquilo tudo. utilizando tudo do quanto compartilharia com rafael (ai, rafael mascarenhas! quanta saudade da tua inexistência!) além do fato de me desobrigar da função literária, aqui escreve eliézer, não Eliézer Araújo, nem Eliézer Pompeu, nem nada. apenas eliézer, aliás, melhor, eliezer.