domingo, 22 de janeiro de 2012

entupindo...

entupindo a cabeça de informação barulhenta e não saberei mais por quanto tempo aguentarão meus tímpanos nesta desordem. como parafraseou saramago um dia, no prefácio de o homem duplicado: o caos é uma ordem por decifrar. mas na verdade, decifrar é o de menos, prefiro sentir o barulho louco ensurdecendo os ouvidos, e eu aqui aguardando que a sensação remota de alheamento me bata mas, ó senhor do inexistível, por que meus olhos não se cansam de permanecerem sãos e atentos para o que há em volta? tanto no sono quanto na vigilha estão eles a zonzear pelos trezentos e sessenta graus que foram propiciados a ter. mas a tristeza, essa não se quebra nem destrói, só aumenta.

[18:45]

***

e é na tristeza dela que eu vejo e revejo que a minha não passa de um esboço de emoção sofrível, que a madrugada é breve, brevíssima, para tanto sentimento em busca de expressão. a mulher que um dia tivera o mundo às suas mãos, por tudo o quanto lutou e venceu, agora vê-se diante da curva insegura do destino. então, é bom nos segurarmos para que possamos nos enfiar dentro da poltrona e sentir a delícia da gravidade, e torçamos para que não nos leve ao chão, vamos pensar um pouco mais como gabriel garcía marquez, acreditar que possamos voar, e lá se vão as nossas asas, rasgando as nossas carnes de pobres homens crentes na melhora, crentes em quedas e asas - ai, as asas - as asas não existem! enlaçado nos pensamentos dela, eu perco quase todos os meus dedos, e sinto agora que tudo se esvai como o tempo descendo numa ampulheta, e deixemo-lo cair, deixemos, façamos de conta que nos importamos - não há nada a fazer. a crença no parar, no cessar de segundos é a coisa vã da qual estamos acostumados a nos fiar. mas, no sentimento dela me debruço, recostado com sofreguidão, interessado em vasculhar no destino qualquer palavra que seja que faça surgir o plim do desenho - a velha lâmpada da ideia - que fará sua vida seguir novamente aos trancos e barrancos - que eu te prefiro ver sorvendo do mundo toda a fumaça e o caos que amofinada nas paredes de teu quarto branco, rosa, azul, violáceo (o quarto inviolável?). as rãs frias e moles parecem assumir a vida que não tivemos tempo de viver e se movimentam na escuridão - a tristeza fria e impassível espreita pela porta.

23/01/2012 - 0:33 - good night, diria a vozinha do prelúdio de "over now" do alice in chains.

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